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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

ladeira a baixo...

" Não és sequer, razão do meu viver, pois já és toda minha vida... "

Dito isso fez-se silêncio. Aquelas palavras tinham vindo do fundo de seu coração, de sua alma. Eram verdade. Não havia ninguém mais importante do que ele. Não para ela. Era justo que ela esperasse mais que isso. Mais que um "Então, Morra!". Ela não saia mais comigo, nem falava direito, se afastou da galera. Eram só os dois! Aquele silêncio que parecia inofensivo ia corroendo-a por dentro. Ela podia ouvir seu coração se partir, e eu também... Todas as fichas que ela apostou naquele amor foram inúteis, mentira. Ela quis sumir. Na verdade, foi só naquela hora que ela percebeu que o amor só havia existido para ela... Todos os momentos que sorria ao lembrar, os beijos carinhosos... Ela tinha criado tudo, nunca existiu um namorado romântico e apaixonado. Só uma menina boba e tola, que achava que vivia um conto de fadas. Só então conseguiu ver isso, e se sentia uma babaca. Não impediu as lágrimas. Queria que todos vissem a sua dor, que todos sentissem o que ela sentiu, e fizessem o mesmo que ela. Por um tempo não falou com mais ninguém, não sorria e só vestia preto. Dizia que estava de luto pelo amor, e as poucas vezes que falava comigo tentava me convencer de que ele não existia. Odiava qualquer casal da escola, e chorava quando via algum e sentia que eram felizes, que se amavam. Nunca aceitou o fato de que ninguém a amava também. Hoje em dia vejo nossas fotos e não consigo acreditar. Ela me disse que ninguém é feliz sem alguém para amar, que sentia falta de alguém só pra ela. Eu tentei dizer que eu a amava. E que ela iria encontrar a pessoa certa, era só abrir os olhos... Meu amor morreu sem saber que eu a amava, minha melhor amiga se matou. Talvez se ao menos ela soubesse...

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