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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

guardada.

"caiu, era um lugar muito duro, sentia seu peito apertado contra a superfície, era como se alguém estivesse por baixo dela, batendo e empurrando-a pra cima, mas era só seu coração pulando enlouquecidamente, descontroladamente, sem ritmo. batidas fora de ordem, mas fortes. não conseguia ouvir mais nada além desse pulsar assustador. tentou levantar-se, mas todos os seus músculos gritavam por socorro, nenhuma parte de corpo respondia sem reclamar, a dor era insuportável, impossível ignorar, mas ela não podia parar, não ainda. eles ainda estavam vindo, e ela podia sentia o cheiro de podre. levantou, e usou a força que ainda lhe restara pra correr, eles eram muitos! 10? pensou ela. mas não parou pra isso, e nem podia. estava escuro não dava pra ver pra onde correr, ma correu. tinha certeza que em movimento seria menos possível uma captura. sentiu frio, e suas pernas não obedeciam mais, seus pé eram carne viva talvez, os braços já não lhe eram úteis. e outra queda, desta vez mais alta. maldito lugar escuro. nenhum movimento. dor, agonia. seu corpo inteiro enviava alertas para seu cérebro, não conseguia mais sentir suas pernas, sua boca tinha gosto de sangue, e mal podia abrir os olhos. é o meu fim, eu não consegui. pensou ela frustrada, com raiva, sentiu as lágrimas, o desespero, mas ela não lutou contra o fim, estava cansada demais, machucada demais. e apenas fechou os olhos. sentiu como se seu corpo estivesse fora do chão, leve. parou de pensar, e já não sentia nada, nem escutava. tinha acabado, ela tinha acabado. mas agora era livre, poderia ir onde quisesse, ou não. depois não havia mais dor, nem trevas nem luz, só o nada!"

Baseado em, A Hospedeira!

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